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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Corpos fuselados  e  seres marinhos

O desenvolvimento da aerodinâmica voltada para a aviação nos apresentou com o passar dos anos várias vertentes de projeto, a ideia de aeronave já encarnou várias silhuetas, formas influenciadas na maioria dos casos, pela ocupação de carga e tripulação, também em grande parte pela resistência dos materiais utilizados, sendo esse último fator grande responsável  por manter durante muito tempo linhas de fuselagem muito conservadoras.
Por ser elemento de vital importância, as asas tiveram seus contornos exaustivamente testados e catalogados tornando mais simples o dimensionamento para um novo projeto, mas o mesmo não ocorre para a fuselagem, existem sim publicações que nos orientam sobre um melhor contorno e distribuição de volume,mas nada que  seja tão prático quanto os perfis de asa. Esse aspecto bem observado pelo aerodinamicista brasileiro Francisco Leme Galvão engenheiro aeronáutico pelo instituto tecnológico da aeronáutica, o levou à elaboração de uma nota técnica muito interessante acerca do dimensionamento de fuselagens para planadores, na qual ele parte do contorno de um aerofólio conhecido para o plano formado por x e y da fuselagem (vista lateral) e traça as coordenadas de z ,(vista frontal) baseadas em relações de medida encontradas em alguns seres marinhos como o Atum e os tubarões, a razão disso é por  uma melhor penetração dessas formas, e maior número de Reynolds.


A publicação desse  ensaio data de meados de 1970, no entanto essa teoria não se viu macissamente difundida  na aviação geral porque é mais voltada para planadores ,além disso exige um acabamento superficial impecável, incompatível com a miscelânea utilizada de rebites , dzus, e parafusos. Mas recentemente já sob a luz dos compósitos na aviação tivemos dois exemplos muito bem sucedidos da aplicação desse princípio em aeronaves motorizadas, ambos desenvolvidos na universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) tendo à frente do projeto o senhor Paulo Iscold, são eles o CEA 308, e o Anequim, detentores de vários recordes de velocidade.

Aeronave Anequim

                                 Aeronave CEA 308

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